Teatro Nacional de Brasília: Uma contribuição do arquiteto Oscar Niemeyer, com a preciosa colaboração do pintor e cenógrafo Aldo Calvo e uma das mais belas obras de Athos Bulcão resultam no Teatro Nacional, projetado em 1958, para ser um verdadeiro marco na vida cultural da recém-inaugurada capital federal.

Localizado ao lado da Rodoviária projetada por Lucio Costa, o Teatro foi um projeto que percorreu um longo caminho até a sua construção. O início das obras foi no ano de inauguração da cidade, em 1960. Porém, entre fechamento para reformas e inaugurações parciais, a entrega final do prédio à população só ocorreu no dia 21 de abril de 1981.

O espetáculo arquitetônico

O Teatro Nacional Cláudio Santoro está localizado no Setor Cultural Norte, próximo à Rodoviária e a Esplanada dos Ministérios. Tem área construída de 43.000 m² distribuída entre o prédio principal e o anexo.

O prédio principal pode ser descrito como um volume fechado, em forma de pirâmide truncada que remete a uma arquitetura pré-colombiana. O prédio anexo é semienterrado, complementando discretamente o volume principal.

A localização do Teatro é estratégica e faz com que ele tenha milhares de pessoas passando no seu entorno, circulando entre a rodoviária, shoppings, prédios administrativos e de serviços.

O bloco principal do Teatro Nacional acolhe três salas de espetáculos: a Villa-Lobos, com capacidade para 1.407 pessoas na plateia; a Martins Pena, 407 pessoas; e a Alberto Nepomuceno, 95 pessoas; além de camarins, áreas administrativas e de apoio.

Na lateral sul, há uma rampa que conduz ao hall que leva ao Espaço Dercy Gonçalves. Esses múltiplos acessos facilitam a distribuição do público dos diferentes espaços.

Teatro nacional de Brasília e suas três salas de espetáculos

O Teatro Claudio Santoro é uma obra de arte em si, e nele integram de Alfredo Ceschiatti, Marianne Peretti, Athos Bulcão e os jardins de Burle Marx. Além disso, o teatro de formato piramidal é composto por três salas de espetáculos principais, e recebe os mais importantes espetáculos da cidade. Arte dentro e fora de uma das mais belas construções da Esplanada dos Ministérios. As salas são:

Sala Villa-Lobos

Inaugurada em 1981, a sala Villa-Lobos é a principal sala do Teatro e a única sala de ópera e ballet da cidade. Possui capacidade para 1.047 lugares, e uma área de palco de 450 m², além de 2 elevadores e 7 camarins e salas de ensaios.

Sala Martins Pena

Inaugurada em 1966, possui capacidade de 407 lugares e uma área de palco de 235 m². Possui 1 elevador e 15 camarins.

Sala Alberto Nepomuceno

Inaugurada em 1979, tem capacidade de 95 lugares e área de palco de 14 m². A entrada para esta sala também se dá pelo Foyer da Sala Villa-Lobos.

História do Teatro Nacional

De acordo com informações da Secretaria de Cultura, Oscar Niemeyer disse a Bulcão que o Teatro Nacional precisaria ter um aspecto sólido, pesado, e ao mesmo tempo leve. Buscando solucionar tal oposição, Athos criou séries de paralelepípedos com cinco formas variadas que, dispostos nas paredes laterais inclinadas, proporcionam a sensação de leveza com a luz do sol e de peso com a sombra, de regra e liberdade, adquirindo movimento cíclico ao longo do dia. Por isso, o relevo é chamado de “O Sol faz a festa”.

O painel é o maior exemplar de uma obra de arte integrada a uma edificação no Brasil, medindo 125 metros na base maior por 27 metros de altura.

Nos primeiros dez anos de Brasília, o espaço vazio da pirâmide serviu para diversas funções, como campeonato de vôlei, Missa do Galo, espaço para alistamento militar, bailes de carnaval e concurso de beleza.

Entre os grandes nomes da música, da dança e do teatro que se apresentaram no Teatro Nacional Claudio Santoro, destacam-se Mercedes Sosa, Astor Piazzola, Yma Sumac, os balés russos Bolshoi e Kirov, o balé da Ópera de Paris, e, entre os brasileiros, Paulo Autran, Fernanda Montenegro, Dulcina de Moraes, Glauce Rocha, Ziembinski, Márcia Haydé, Márika Gidali e o balé Stagium, Grupo Corpo, João Gilberto, Caetano Veloso, Maria Bethânia e praticamente todos os principais nomes da música popular brasileira.

O Teatro Nacional de Brasília está na lista do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como com o tombamento aprovado, em fase final. Além disso, está incluído no conjunto urbanístico-arquitetônico de Brasília, inscrito no Livro de Tombo Histórico pelo Iphan em 14 de março de 1990. Brasília é o primeiro conjunto urbano do século 20 a ser reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 1987, como Patrimônio Mundial. O teatro está também entre as obras de Niemeyer tombadas no ano passado pelo Ministério da Cultura.

História do nome

Inicialmente, o teatro denominado apenas como Teatro Nacional de Brasília, ganhou o nome de Cláudio Santoro, a partir de 1989, em uma homenagem ao compositor, maestro, violonista e educador, que fundou a orquestra do Teatro em 1979 e dirigiu-a até sua morte em 1989.

Ele nasceu em Manaus, no Estado do Amazonas, e foi, sem dúvida, um artista sensível, criativo, polêmico, laureado e reconhecido internacionalmente.

Atrações do Teatro

Ao redor do prédio, o jardim projetado por Roberto Burle Marx forma uma composição que remete à vegetação mexicana, pois utiliza espécies de ambientes áridos como velozias, yucas e agaves.

Externamente, a volumetria do prédio, sua textura e sua implantação fazem com que pareça árido e hermético em relação ao seu entorno. Ao entrar no prédio, porém, o que chama a atenção é a diferença entre o espaço interno e o externo. Um jardim, também projetado por Roberto Burle Marx, está presente em amplo foyer, com pé direito duplo, onde vegetação exuberante se destaca. As intervenções artísticas de diferentes autores e o teto inclinado em vidro translúcido colaboram para uma ambientação surpreendente, cuja linguagem em Brasília – se tratando de uma obra de Niemeyer – só pode ser comparada com a do Palácio do Itamaraty. Este contraste entre o ambiente externo e interno é uma das principais características do prédio.

Quando vier à Brasília, não deixe de conhecer esse espetáculo de Teatro acompanhado de um guia turístico! Veja agora um roteiro de fim de semana imperdível em Brasília.